Anne Barrère (2014), Escola e Adolescência: uma abordagem sociológica, Lisboa: Edições Piaget

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João Feijão

CICS.NOVA

 

No seu livro Escola e Adolescência, Anne Barrère aborda as relações entre a escola e adolescência, fazendo uma revisão de literatura sobre os estudos que se focam no ponto de vista dos adolescentes em relação à sua experiência escolar.

No seu primeiro capítulo, a autora apresenta um panorama genérico da evolução das relações entre escola e adolescência, de um ponto de vista histórico e sociológico, a partir de três grandes mudanças estruturais do sistema educativo: o prolongamento e a unificação dos percursos escolares; a transformação dos processos de socialização e as transfigurações na relação com os saberes escolares.

O segundo capítulo é dedicado à análise da relação entre o prolongamento dos estudos e a importância dos resultados escolares na vida dos adolescentes. O aumento do tempo de frequência escolar torna central o lugar da escola na definição dos destinos dos alunos e reforça a centralidade do cadastro escolar. Esta pressão escolar em torno dos resultados é encarada pelos adolescentes como uma prova subjetiva e experienciada segundo diferentes sentimentos de justiça ou de injustiça face à classificação atribuída e à forma como é tratado pelo professor em sala de aula.

No terceiro capítulo a autora enfatiza as transformações nas formas de socialização dos adolescentes. Estes encontram-se entre uma pluralidade de formas de socialização, que não só a família e a escola. Anne Barrère destaca a importância dos grupos de pares na experiência de socialização dos adolescentes, altamente negligenciada pela herança durkheimiana, e que é geradora de tensões no âmbito da socialização institucional escolar.

No quarto e último capítulo, é exposta a forma como os adolescentes se relacionam com os saberes escolares, mas também com outros saberes não escolares que trazem para dentro da escola e com os quais confrontam a cultura escolar. As escolas são assim confrontadas com elementos que os adolescentes trazem da cultura digital, os quais mobilizam para colocar em causa a forma escolar (organização de tempos e espaços na escola), os conteúdos ensinados e os objetivos da escola.

Os laços que ligam escola e adolescência são assim simultaneamente evidentes e ambivalentes: por um lado, a escola valoriza a autonomia dos adolescentes; por outro, a instituição escolar receia não conseguir canalizar essa autonomia que pode ser fonte de tensões capazes de pôr em causa todo o seu programa institucional.